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Briskcom - BESS E CURTAILMENT: COMO O ARMAZENAMENTO PODE AJUDAR O SETOR ELÉTRICO

A expansão das fontes renováveis está transformando a operação do setor elétrico. A participação crescente de usinas solares e eólicas aumenta a disponibilidade de energia de baixo carbono, mas também traz novos desafios para o planejamento, a transmissão e a operação do sistema. Entre eles está o curtailment, situação em que a geração de uma usina precisa ser limitada por determinadas restrições operativas ou sistêmicas.

Nesse cenário, os sistemas de armazenamento de energia por baterias, conhecidos como BESS (Battery Energy Storage Systems), vêm ganhando espaço como uma das tecnologias capazes de aumentar a flexibilidade do sistema elétrico. A lógica é relativamente simples: quando existe energia disponível em determinado momento, mas sua utilização imediata é limitada, o armazenamento pode permitir que parte dessa energia seja deslocada para outro período.

No entanto, BESS e curtailment não formam uma relação tão simples quanto “armazenar energia para eliminar o problema”. A efetividade do armazenamento depende de fatores como localização, potência, capacidade energética, duração, características da rede, regras de operação e modelo regulatório.

Além disso, existe uma dimensão frequentemente menos discutida: a infraestrutura de comunicação necessária para integrar o BESS aos sistemas elétricos. Baterias, sistemas de gerenciamento, conversores, supervisão e centros de operação precisam trocar informações de maneira confiável e segura.

É nessa interseção entre energia, automação e telecomunicações que a integração de sistemas passa a ter papel estratégico.

 

O que é curtailment e por que ele acontece?

Como já explicamos em nosso artigo Como o setor elétrico está se preparando para o curtailment, o termo curtailment é utilizado para descrever a redução ou limitação da geração que uma usina poderia realizar em determinadas condições. No contexto brasileiro, o ONS utiliza o conceito de restrição de operação por constrained-off para registrar situações desse tipo em usinas eólicas e fotovoltaicas. O operador disponibiliza, inclusive, bases de dados específicas sobre essas restrições.

É importante evitar uma interpretação simplista segundo a qual todo curtailment representa simplesmente “energia desperdiçada”. A redução de geração pode estar associada a diferentes condições do sistema, incluindo restrições na rede de transmissão, limitações operativas e situações em que a geração disponível não pode ser integralmente escoada ou absorvida.

Para um sistema elétrico com participação crescente de fontes renováveis variáveis, esse desafio tende a ganhar importância. A geração solar, por exemplo, concentra-se em determinados períodos do dia, enquanto a geração eólica pode apresentar grande variação de acordo com as condições dos ventos.

O resultado é um desafio de equilíbrio entre quando a energia é produzida, onde ela é produzida e quando e onde ela pode ser utilizada.

 

Por que o curtailment é um desafio para o setor elétrico?

O crescimento do curtailment coloca em evidência uma questão central da transição energética: instalar mais capacidade de geração renovável não é suficiente. Também é necessário desenvolver infraestrutura capaz de transportar, controlar, armazenar e utilizar essa energia de maneira eficiente.

Entre os desafios associados estão:

  • melhor aproveitamento dos ativos de geração;
  • necessidade de expansão e reforço da transmissão;
  • maior flexibilidade operacional;
  • integração de grandes volumes de geração variável;
  • planejamento de novos empreendimentos;
  • gestão das restrições da rede;
  • desenvolvimento de mecanismos de armazenamento e resposta da demanda.

O ONS mantém dados públicos de restrições de operação tanto para usinas fotovoltaicas quanto eólicas, permitindo acompanhar esse fenômeno de forma mais estruturada.

Por isso, o debate sobre curtailment não deve ser separado da discussão sobre flexibilidade do sistema elétrico.

É nesse ponto que o armazenamento passa a despertar interesse.

 

O que é BESS?

BESS é a sigla para Battery Energy Storage System, ou Sistema de Armazenamento de Energia por Baterias.

Embora muitas vezes a expressão seja utilizada simplesmente como sinônimo de “bateria”, um BESS é muito mais do que o conjunto de células eletroquímicas responsável por armazenar energia.

Um sistema completo normalmente envolve diferentes componentes, entre eles:

  • baterias e seus módulos;
  • BMS (Battery Management System);
  • PCS (Power Conversion System);
  • EMS (Energy Management System);
  • sistemas de proteção;
  • sistemas de controle;
  • infraestrutura de comunicação;
  • sistemas de supervisão e monitoramento.

O BMS acompanha parâmetros das baterias e auxilia no gerenciamento seguro de sua operação. O PCS realiza a conversão entre energia elétrica em corrente contínua e corrente alternada, conforme a arquitetura do sistema. Já o EMS coordena a estratégia energética, considerando as condições de operação e os objetivos definidos para o armazenamento.

Em instalações maiores, esses sistemas precisam estar integrados à infraestrutura elétrica e aos sistemas de supervisão e controle.

O conceito, portanto, é mais próximo de uma plataforma integrada de energia, controle e comunicação do que simplesmente de um banco de baterias.

Sistemas de armazenamento de energia em bateria BESS para gerenciamento de energia sustentável

FONTE: Deye

Como o BESS pode ajudar a mitigar os impactos do curtailment?

A principal contribuição potencial do BESS está na capacidade de deslocar energia no tempo.

Imagine uma planta solar que produz grande quantidade de energia durante determinado período do dia. Se, naquele momento, houver uma restrição que limite a quantidade de energia que pode ser injetada na rede, parte da energia disponível poderá, dependendo da arquitetura e das condições do projeto, ser direcionada para um sistema de armazenamento.

Posteriormente, quando as condições permitirem, a energia armazenada poderá ser disponibilizada.

De forma simplificada:

Geração renovável → excesso de geração → armazenamento → utilização posterior

Essa característica pode aumentar a flexibilidade do sistema e contribuir para a integração de fontes renováveis.

O armazenamento também pode desempenhar outras funções, dependendo do projeto:

  • deslocamento temporal de energia;
  • suporte à integração de geração solar e eólica;
  • gerenciamento de demanda;
  • fornecimento de potência em determinados períodos;
  • serviços relacionados à flexibilidade do sistema;
  • suporte à operação de determinadas instalações.

Mas existe uma ressalva fundamental: BESS não elimina automaticamente o curtailment!

Para que o armazenamento consiga efetivamente absorver energia que seria limitada, é necessário que esteja disponível no local adequado, tenha potência e capacidade energética compatíveis e possa operar de acordo com as regras e condições do sistema.

Um BESS com grande capacidade energética, por exemplo, não necessariamente resolve uma restrição cuja característica principal seja de potência ou transmissão.

Por isso, a relação entre BESS e curtailment precisa ser analisada dentro da arquitetura completa do sistema elétrico.

 

O cenário brasileiro para BESS

O armazenamento de energia está deixando de ser apenas um tema experimental no Brasil e entrando em uma etapa mais estruturada de regulamentação e contratação.

Em junho de 2026, a ANEEL regulamentou procedimentos para Sistemas de Armazenamento de Energia (SAE) autônomos por baterias, por meio da Resolução Normativa nº 1.161/2026.

O movimento ganhou ainda mais relevância em julho de 2026, quando a ANEEL abriu consultas públicas relacionadas aos primeiros leilões de armazenamento de energia do Brasil. As propostas preveem contratação de sistemas autônomos por baterias, com potência mínima de 30 MW e capacidade de atendimento de quatro horas, para fornecimento a partir de 2028.

Esse processo indica uma mudança importante: o armazenamento começa a ser tratado não apenas como uma tecnologia complementar a projetos específicos, mas como recurso potencialmente relevante para a operação e a flexibilidade do sistema elétrico brasileiro.

A própria ANEEL já vinha promovendo discussões técnicas sobre BESS, integração de baterias e experiências internacionais relacionadas a grid forming, demonstrando que o tema envolve não apenas armazenamento de energia, mas também requisitos de integração à rede.

Para empresas envolvidas em geração, transmissão, distribuição e grandes instalações industriais, essa evolução significa que a discussão sobre BESS tende a envolver cada vez mais questões de automação, controle, telecomunicações e infraestrutura digital.

 

Mas afinal, BESS é a única alternativa para lidar com o excesso de geração?

Não.

O armazenamento deve ser considerado como uma das ferramentas possíveis dentro de uma estratégia mais ampla de flexibilidade do sistema.

Na prática, essas alternativas podem ser complementares.

O papel do BESS deve ser definido a partir das características específicas de cada aplicação, e não simplesmente pela existência de curtailment.

 

O papel da Briskcom na integração de sistemas BESS

À medida que o armazenamento ganha espaço no setor elétrico, a discussão deixa de ser apenas sobre “quantos megawatts-hora uma bateria consegue armazenar”.

Também é necessário entender como esse sistema será integrado à infraestrutura existente.

Um projeto BESS pode precisar se comunicar com sistemas de gerenciamento, equipamentos de conversão, sistemas de supervisão, subestações e centros de operação. Essa arquitetura exige uma infraestrutura de comunicação que considere disponibilidade, redundância, interoperabilidade, segurança e capacidade de expansão. É nesse contexto que a experiência em telecomunicações para o setor de energia, torna-se relevante.

Para empresas que atuam em infraestrutura crítica, contar com uma arquitetura de comunicação adequada desde a fase de engenharia pode facilitar a integração de diferentes tecnologias e reduzir riscos relacionados à operação e à manutenção.

A Briskcom atua justamente nesse universo, desenvolvendo soluções de comunicação e integração voltadas a ambientes nos quais confiabilidade, disponibilidade e continuidade operacional são requisitos fundamentais.

Em projetos relacionados ao armazenamento de energia, essa perspectiva permite enxergar o BESS não como um equipamento isolado, mas como parte de um ecossistema maior de energia, automação, telecomunicações e controle.

 

Conclusão

O avanço das fontes renováveis está aumentando a necessidade de flexibilidade do sistema elétrico. Nesse cenário, o BESS e curtailment passam a fazer parte de uma discussão estratégica sobre como aproveitar melhor os recursos disponíveis e tornar a operação do sistema mais flexível.

O armazenamento pode contribuir para deslocar energia no tempo e apoiar a integração de fontes renováveis, mas não deve ser tratado como uma solução universal para o curtailment. Sua efetividade depende de características técnicas, econômicas, regulatórias e operacionais.

Por isso, à medida que o armazenamento de energia avança no Brasil, a comunicação passa a ser parte importante da infraestrutura necessária para transformar esses sistemas em ativos efetivamente integrados ao setor elétrico.

Para conhecer as soluções da Briskcom para comunicação, integração e infraestrutura de ambientes críticos, acesse os conteúdos e soluções da empresa e avalie como uma arquitetura de telecomunicações adequada pode contribuir para seus próximos projetos.

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